quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Sunshine

Eu sempre escrevo coisas pra postar no blog no bloco de notas e acabo desistindo ou esquecendo. Um dia, eu larguei aberto no computador e fui dormir. Minha irmã chegou e leu, foi constrangedor. Mas eu acho muitas coisas constrangedoras.

No próximo domingo eu vou ser "elisete". Deixa eu explicar: Elias é o coordenador da rádio UFMG Educativa, onde eu trabalho. Quando ele ainda tava na graduação, fez um trabalho pra uma matéria de rádio - a do Fábio Martins mesmo, pra quem conhece - e montou o Show de Calouros Elias Sunshine. A coisa meio que virou uma tradição e de tempos em tempos ele faz um novo. As elisetes são as ajudantes de palco. Segundo ele, mulheres "escolhidas a dedo, que todos os homens gostariam de ter e todas as mulheres gostariam de ser". Aham, Cláudia.

Vou ter que passar uma hora e meia, quase sem pausa, dançando. Dançando, gente! Eu não danço! Pelo menos não em condições normais de temperatura e pressão. Mas eu tava querendo mudar isso. Primeiro porque mulher que não dança fica meio deslocada na sociedade, não é natural. Segundo, porque se tanta gente gosta, algum motivo deve ter. Eu tenho que parar com essa de achar que todo mundo tá me olhando, preocupando comigo o tempo inteiro e mijogar mais.

Inicialmente, minha maior motivação foi o cachê que diz que vai ter. Esse mês estou assaz apertada de finanças. Mas depois desprendi, porque não deve ser muita coisa. Enfim...

Segunda-feira a gente foi ensaiar e, no começo eu tava com vergonha até das meninas, mas depois liguei o foda-se. Conseguir ligar o foda-se em determinadas situações figura entre as minhas maiores conquistas dos últimos tempos. O próximo passo é transformar "determinadas situações" em "sempre".

Vamo ver, né?!

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Filosofia rasa e um caso

Da Wikipédia:

Um clichê (do francês cliché), chavão ou lugar-comum é uma expressão idiomática que, de tão utilizada e repetida, desgastou-se e perdeu o sentido ou se tornou algo que gera uma reacção má em vez de dar o efeito esperado.

Outro dia, lendo uma coluna de alguém que eu nem me lembro mais quem, comecei a pensar sobre isso e mais um monte de coisas.

Eu costumava odiar clichês. "Odiava" e nem sabia porquê. Só queria ser diferentezinha. Tempos depois, menos revoltada com a vida, li essa coluna e percebi que o clichê é uma coisa que perdeu sentido de tanto que foi repetida. Então uma coisa que foi repetida perde sentido só por causa disso? Se for pensar nas palavras isoladas que quando faladas muitas vezes seguidas ficam estranhas, a resposta certamente é sim. Mas se várias pessoas chegaram a uma conclusão que já havia sido concluída antes foi só porque elas tiveram preguiça de procurar uma diferente?

Sei lá.

Sou inconclusiva. Devia tentar só contar historinhas, porque é no que eu quero ser boa, mas tô fraca de história ultimamente. Só essa do ônibus hoje:

Tava lá em pé, do lado de outra mulher em pé, que conversava que nem um pobre na chuva com duas outras que estavam sentadas. Mas era igual uma maritaca mesmo. Pra ter uma idéia - quem conhece o trajeto - ela gastou de venda nova até a região dos motéis pra contar um único caso e sem fazer silêncio por mais do que dois segundos.

Nessa região dos motéis o ônibus sempre dá uma esvaziada. Aí eu acabei sentando e surgiu um homem sei lá de onde que ficou no lugar onde a faladeira estava e ela acabou se afastando um pouco de perto das outras duas, mas nada que a impedisse de conversar com elas.

De repente, a faladeira ficou calada e o homem assumiu o seu posto. Com assuntos tão chatos quanto os dela - nada pessoal, mas ele era pastor - ele desandou a falar, mas num ritmo totalmente diferente, mais pausado. Parecia que ele falava para ser gentil, o silêncio o constrangia.

Falou de assuntos chatos: a igreja, como o tempo passa rápido e os filhos deles já estão criados, o curso de clarinete do caçula e a filha que mora em Portugal, e eu sempre observando uma certa má vontade na voz da ex-faladeira.

Um ponto antes de eu descer, a dita cuja anunciou sua partida, dizendo que precisava comprar pão para sua "cria" e encerrou seu discurso meio que xingando o homem por ter falado tanto:

- Vão, Seu Zé*, o senhor já falou muito hoje. Já falou de igreja, já falou dos filhos, agora tá na hora de fechar um pouco a matraca e descer.

Achei irônico.

*Nome fictício.